Neste sábado acontece a apresentação da Orquestra do Festival, formada durante os cinco dias do curso de Prática de Orquestra do Festival de Música de Ourinhos. A regência será do maestro João Maurício Galindo, coordenador do curso e Diretor Artístico de orquestras como a Jazz Sinfônica de São Paulo, a Sinfônica do Conservatório de Tatuí e a Sinfônica Jovem do Estado.

“O mais importante para mim, mais até que o concerto, é o dia-a-dia com os alunos, ensiná-los a tocar juntos, em sincronia, fazer uma boa afinação”, afirma o maestro. João Galindo destaca a importância do trabalho em conjunto para desenvolver a habilidade de tocar, ouvir o próprio som e os sons dos outros. “Então, aprender esse trabalho de somar os sons e fazer aquilo ficar bonito em conjunto é o mais importante”, conclui.
Foi essa preocupação pedagógica que o levou a publicar em 2009, pela editora Melhoramentos, o livro ‘Música – pare para ouvir’. No livro o maestro aborda de forma didática questões como o desenvolvimento da linguagem musical, a escrita da música, a percepção da música em seus vários estilos, passando pelo desenvolvimento dos instrumentos e das técnicas de gravação. Na Rádio Cultura FM João Maurício Galindo apresenta os programas ‘Pergunte ao maestro’ e ‘Encontro com o maestro’, respondendo, sempre numa linguagem simples e direta, questões formuladas pelo público sobre o universo da música clássica.
Para a apresentação de hoje foram selecionadas peças de compositores como o russo Dimitri Chostakovitch, peça original para piano a quatro mãos. “Como percebi que tínhamos duas flautistas muito boas, fizemos então um concerto para duas flautas e cordas, de um compositor alemão do século XX que é pouco conhecido, chamado Harald Genzmer”. Galindo se refere às flautistas Larissa Gabrielle Salustiano e Rafaela de Souza Marins.
Como Luiz Gonzaga é o músico homenageado do Festival de Música, a orquestra apresentará um baião. “A música foi composta pelo maestro Edmundo Villani-Cortes, músico convidado do Festival. É uma forma de unir as duas coisas”. Para encerrar, a orquestra contará com a participação do Coro Adulto, regido pela professora Mara Campos. “Trata-se de uma peça do compositor americano John Leavitt, é um trecho de uma missa dele”, explica Mara. Segundo o maestro Galindo, a orquestração busca integrar realmente com o coro. “São poucos ensaios e eu procuro fazer a coisa com qualidade, por isso optei por um repertório mais enxuto, mas com boa qualidade”. A apresentação da Orquestra do Festival terá início às 20h30, no Teatro Municipal. Os convites devem ser retirados com antecedência.
O show de ontem (21) no Teatro Municipal mostrou as possibilidades sonoras e de repertório da família das flautas doce. A proposta do Quinteto Sopro Novo Yamaha é “mexer com a memória emocional e ser um respiradouro no meio da intensidade da vida moderna.”
Formado por Cláudia Freixedas (formada pela ECA-USP, com especialização em música barroca no Conservatório Real de Haia), Cristal Velloso (bacharel em composição e regência com especialização pelo Instituto Orff de Salzbourg, Áustria), Márcia Gioia (formada em música e teatro pela FASM e especialização em metodologia Kodaly pela UNESP), Márcio Alexandre (bacharel em piano e educação artística e especialização em metodologia Kodaly pela UNESP) e Selma Oliveira (Formada pela ECA-USP e em música sacra com especialização em órgão e regência), o grupo também é responsável por projeto de musicalização infantil de grande sucesso em todo o país.

Maurício Carrilho e grupo fazem show no Teatro Miguel Cury nesta sexta, dia 22 de julho, às 20h30. Veterano do Festival de Música de Ourinhos, onde coordena as oficinas de Composição e Prática de choro, Maurício é também um dos diretores da Escola Portátil de Música, mantida pelo Instituto do Choro, no Rio de Janeiro. A entidade é a principal organização destinada à preservação da memória do choro no país.

Maurício Carrilho (em pé) ministra curso durante o XI Festival de Música de Ourinhos
Prestes a ocupar um casarão tombado no centro da capital carioca, o Instituto do Choro vai abrigar um Centro de Pesquisas com 10 mil partituras que poderão ser consultadas pelo público. O choro pode ser encontrado em regiões diferentes do país, e possui núcleos organizados em Brasília e São Paulo. Porém, é no Rio de Janeiro onde encontra maiores admiradores. No Festival de Música de Ourinhos o gênero está presente há anos, formando e motivando o surgimento de grupos. Em entrevista ao jornal da cultura, o Balaio Cultural, Maurício contou como será o show em homenagem a Luiz Gonzaga:
O show que você vai apresentar no Festival de Música de Ourinhos vai mostrar choros de Luiz Gonzaga. São músicas inéditas? Você pode dizer em qual contexto Luiz Gonzaga, conhecido como o Rei do Baião, enveredou pelo choro?
Nós vamos tocar composições do Luiz Gonzaga que foram gravadas por ele. São choros, valsas, polcas, músicas do universo do choro que já tiveram pelo menos uma gravação, portanto não são inéditas. O Luiz Gonzaga, assim como o Sivuca, o Hermeto, o Dominguinhos, pra ficar só nos acordeonistas, é mais um exemplo de como o choro é importante, na história de nossa música, como gênero formador de grandes músicos. Antes de se tornar o Rei do Baião, Gonzagão foi pro Rio de Janeiro tocar no Regional do Canhoto (que acabara de deixar de se chamar Regional do Benedito Lacerda por conta da aposentadoria do grande flautista). Gravou vários choros sempre acompanhado deste Regional (que tinha Dino e Meira nos violões e Canhoto no cavaquinho) e, despretensiosamente, gravou cantando e obteve um sucesso estrondoso que mudou o rumo de sua carreira. Assim ele se tornou o Rei do Baião depois de já ser ótimo músico de choro.
Pessoas próximas a você, como seu pai e seu tio, tiveram contato com Luiz Gonzaga. Como foi isso?
Meu tio Altamiro gravou com ele, e meus professores de violão, Dino e Meira, participaram de praticamente todas as gravações feitas por Luiz Gonzaga. Aliás, ele tinha um hábito muito curioso que demonstra sua grande generosidade. Ele adorava presentear, com instrumentos musicais, músicos por quem tinha admiração, amizade, ou jovens talentosos que não possuíam instrumento. Contam que ele distribuiu dezenas de acordeons, ao longo de sua carreira. O trio Dino, Meira e Canhoto também foram presenteados por ele em 1950. O Meira, a partir desta data, só usou o Del Vechio que Luiz Gonzaga lhe dera de presente, em shows e gravações. Este violão me foi dado de presente pela filha do Meira, Ivone, 20 anos após a morte do meu mestre. É lógico que vou levá-lo para participar desta homenagem. Ele, o violão, também tem que ser homenageado.
O trabalho do Instituto Casa do Choro também está focado no resgate de partituras e material sobre o choro, como foi feito recentemente com a obra de vários compositores. Quais as dificuldades encontradas?
Acho que a dificuldade maior é o começo, a saída da inércia. Depois que a gente começa este tipo de trabalho, as pessoas vão tomando conhecimento e acabam ajudando a canalizar pra nosso acervo vários artigos, não só partituras, mas discos, fotos, instrumentos, documentos, etc. Hoje nós estamos com uma equipe de monitores da Escola Portátil de Música trabalhando na digitalização de nosso acervo de partituras. Mas não paramos de receber preciosidades vindas das mais variadas procedências.
Sendo o choro um gênero conhecido pela espontaneidade e caráter mais intuitivo, quais as dificuldades em se manter uma escola de choro formal como a Escola Portátil de Música?
Na verdade, quando a Casa do Choro ficar pronta, e esperamos que isto aconteça já no ano que vem, vamos poder nos estruturar como uma escola de choro formal de nível técnico. Por enquanto temos um projeto de educação musical a partir da linguagem do choro. Estamos sistematizando um saber que foi passado, durante 150 anos, de geração para geração, nas rodas de choro, encontros informais, na troca de partituras, etc. No século XX a gravação de discos se torna outro meio muito importante de se transmitir esse conhecimento. E hoje, com a tecnologia digital a nosso dispor, temos a obrigação de fazer esse legado chegar ao maior número possível de interessados nessa linguagem musical.
Como outros gêneros musicais, o choro também se transforma, recebendo influências diversas. Como você vê essa transformação, e de que forma podem ser mantidas características tradicionais?
Realmente toda música viva, e o choro é a música viva mais antiga do mundo, recebe influências e se transforma o tempo todo. Acho que o músico bem embasado, conhecedor dos fundamentos de uma linguagem musical, pode fazer uso de elementos de outras culturas sem que isto deforme ou deturpe sua linguagem de origem. A gênese do choro foi assim: a mistura de gêneros europeus com um jeito mestiço, afro-brasileiro, de tocar. Não podemos ficar com preocupações puristas num mundo em que a informação e, principalmente, a desinformação, correm em velocidade absurda. Nossa preocupação, o foco do nosso trabalho didático, é dar a base do choro com toda sua riqueza rítmica, harmônica e melódica, aos nossos alunos. A partir desses conhecimentos eles vão poder se reconhecer como músicos brasileiros, terão orgulho de sua música, e principalmente estarão livres pra buscar onde quer que seja, outros elementos e, informações que julguem importantes para o desenvolvimento de seu trabalho.
Na madrugada do dia 21 de Julho, quem passou pelo centro de Ourinhos deparou-se com uma cena inusitada. A tradicional canja, que ocorre em todas as noites do Festival de Música, dentro de restaurantes e ambientes fechados, foi transferida para a rua, transformando o centro da cidade em uma verdadeira festa junina ao ar livre.
A seguir, uma seleção de fotos e um vídeo com alguns momentos da Canja na Rua.





Confira o vídeo em: http://www.youtube.com/watch?v=dgjUYoHxedU
A importância do Festival está viva em quem participa dele. Por isso é curioso capturarmos as histórias de quem vem para Ourinhos viver e aprender um pouco mais de música nesse curto e intenso período de tempo, como é o caso de 27 pessoas vindas de São Vicente, na Baixada Santista. É uma caravana de crianças e jovens, mais os educadores do Projeto CER – Centro Educacional e Recreativo, mantido com recursos do Fundo Social de Solidariedade daquele município. Entrevistamos a Educadora Cláudia Marques Rosa, Coordenadora Pedagógica do Projeto, que contou a história dessa caravana de alunos.

Cláudia, conte como essa caravana toda veio parar em Ourinhos...
Meu marido é daqui. Tem família aqui. Ele comentou do Festival e em minhas férias de julho do ano passado falei: “- Vou conhecer esse Festival!” Fiquei encantada com a qualidade musical das pessoas que participam. Depois falei assim: “- Tenho que levar o pessoal para lá”. Como no nosso projeto todo mundo é muito carente, entrei em contato com a Neusa e ela conseguiu 10 vagas gratuitas para os alunos. Os monitores economizaram dinheiro e se esforçaram para vir também. Conseguimos ônibus e alimentação da prefeitura de São Vicente. Enfim, viemos num grupo de 27 pessoas. Alguns dos professores já haviam ouvido falar do Festival, mas nunca tivemos condições de vir antes. Quando falamos que poderiam vir para cá, todos ficaram exultantes, contando as horas. Estão amando...
E quem são essas 27 pessoas?
Estamos em um grupo de 15 professores e 10 alunos de 12 a 17 anos. Nosso projeto atende desde 6 anos de idade. O Projeto CER funciona no contraturno escolar. Começou atendendo em seis unidades e hoje já atende em 21 unidades espalhadas na cidade de São Vicente, nos bairros mais carentes. Duas unidades atendem pessoas especiais. O CER, além de música, trabalha com teatro, artesanato, dança, capoeira. Toda essa parte cultural...
Do que o pessoal está participando, no Festival?
Estão participando de oficinas variadas. Violino, flauta universal, contrabaixo, contrabaixo elétrico, composição e prática de arranjo. Enfim, estão espalhados pelas oficinas e shows culturais. Os professores vão nas canjas de samba e choro também.
Como você está sentindo a recepção deles em relação ao Festival?
É interessante. Os alunos e até os professores, também, chegaram pensando que iam abafar. Mas quando viram a qualidade dos profissionais, o nível deles, ficaram assustados, tipo: “- Gente, eles sabem muito e nós não sabemos nada.” Tivemos que falar que ser músico não é só subir no palco e tocar, tem que ter todo um estudo e uma dedicação muito grande. Aí eles ficaram calmos e hoje no café da manhã conversando eles diziam: “- Professora, eles estão conversando com a gente, apesar de não sabermos muito, estão nos dando atenção.” Estão aprendendo muito e curtindo muito isso.
Você acha que isso vai ser forte na vida deles?
Muito! Lá a gente tem vários ensaios. No ano passado, quando vim para cá, acabei conhecendo o Orestes de Freitas e como em novembro tivemos o lançamento da Orquestra Didática do CER, com uma argüição, perguntei se haveria a possibilidade de ele ir. Foram ele e a esposa e ele ficou maravilhado com a história de vida dos alunos e por estarem lá, com a qualidade da Orquestra Didática. Então, ele apadrinhou a gente. Foi um contato que tivemos no Festival. Então, temos a Orquestra Didática, um grupo de música popular, um grupo de rock e um grupo de chorinho que faz sucesso na baixada e se apresentam três vezes por semana em diversos eventos. Todo esse conhecimento, não só musical, mas do trabalho do músico em geral vai ser muito importante eles levarem para lá, para os outros que não puderam vir.
Você que é apreciadora de música e educadora, que balanço faz do Festival?
Volto a salientar a qualidade absurda daqui e dos músicos que vêm para cá. Já estive no Festival de Campos do Jordão e o daqui não deixa nada a desejar. Em alguns pontos é até melhor.






