Luiz Gonzaga
Luiz da diversidade popular

Culturalmente Ourinhos tem seu quê no fazer fazendo – uma inspirotecnia...
Como numa oficina cultural, esse jeito implica pensar com cabeça, mãos, antenas, conexão, ferramentas e sensibilidade. E cada ano, entra-ano-sai-ano, não nos cansamos do que vamos inventando. Do plano à planta, da planta ao palco, investimos no ambiente cultural - cidade virando vivacidade: VivOurinhos.
O Festival de Música é uma planta rizomática com a qual dialogamos com o Brasil, cultivando contatos, espalhando encontros e troca de referências entre músicos e estudantes de música, eruditos, populares e experimentadores.


Não dispomos de milhões, mas nossos feijões alçam as nuvens. Investimos em um ambiente caloroso.
Em julho, no Festival, rolam cursos durante o dia, canjas nos bares à noite e espetáculos musicais. Mas as coisas começam antes.


A cada ano escolhemos um músico para homenagear, que vai ser inspirador. Vai ser estudado nas escolas e sua obra difundida intensamente na cidade desde o início do ano, com ênfase em junho, no pré-festival. 2011 é nosso Ano da Diversidade Cultural, tendo Luiz Gonzaga como homenageado/inspirador.

Diversidade tem a ver com formas de ver, viver, conviver e criar. Diversidade da Cultura Popular tem a ver com as emanações artísticas da cultura do povo: músicas, danças, artesanato e manifestações com raiz e identidade; a convivência cotidiana nas ruas e praças; a vida nos bairros, feiras e bares; as crenças e seus rituais; as comidas e sua preparação; as formas criativas de decorar casas e jardins; os festejos; as pessoas e seus comportamentos, modos, modas e memórias.
Assim, seguindo essa linha, não teve jeito: caímos no Gonzagão. Cabra danado. Cobra criada. Nome: Luiz Gonzaga do Nascimento, Pernambucano de Exu, nascido em 13 de dezembro de 1912, espalhado no mapa do Brasil e no tempo por rádios, caminhoneiros e forrós. Brasileiro, não só porque típico, mas arquétipo e poético.
A diversidade que Luiz Gonzaga representa é linda e espinhosa flor de mandacaru. Semianalfabeto, Gonzaga demonstrou em sua vida e obra o quanto vale a advertência do mestre educador Paulo Freire (outro pernambucano) para prestarmos atenção nos diversos conhecimentos e leituras de mundo de que as pessoas são portadoras, ainda que não estejam vestidas com os formais diplomas das academias.
O mestre popular é imponente e ensina: “Eu vou mostrar prá vocês/como se dança o baião e quem quiser aprender/ é favor prestar atenção”. Graças a Gonzaga, entre as décadas de 40 e 50, baião, xaxado, xote e outros ritmos e manifestações foram fazendo-nos o Brasil da atual MPB, mudando e influenciando os limites do eixo Rio-Sampa. João Gilberto, Raul Seixas, Chico, Gil, Caetano, Gal – todos de alguma forma foram tocados pelos toques de Gonzaga.
O resvalo-lapso de Luiz Gonzaga em apoiar políticos conservadores não arranhou a crítica de sua música, que revela diversidade estilística, seja no incorporar a migração sertaneja de “Asa Branca”, seja ao renegar a esmola em “Vozes da Seca”: “uma esmola, ao homem que é são/ ou lhe mata de vergonha/ ou vicia o cidadão”.
Gonzaga é ídolo de contra-senso estético. Não foi mauricinho. Foi diverso: negro, cabeça chata, roupa de vaqueiro-cangaceiro e cantor-sanfoneiro. Filho de Januário e das adversidades, veio para o Rio de Janeiro, morou no Morro de São Carlos, passou o pires, passou pelo rádio e voou com sua Asa Branca, a tal ponto de torná-la um dos hinos informais do Brasil.
Escolher Gonzaga como homenagem à diversidade impõe-se. Viva ele!!!

                                                                                                                                          Valdir Grandini Álvares





Bibliografia Luiz Gonzaga

O jovem Luiz Gonzaga – Autor: Roniwalter Jatobá
Editora: Nova Alexandria – R$ 33,00
O pequeno Gonzaga, ou Lula, como era chamado na intimidade, cresceu solto nos matos da Chapada do Araripe, Pernambuco. Numa hora estava caçando nambus, noutra armava alforjes para capturar preás. E não saía do riacho da Brígida tentando pegar cascudos nas locas ou traíras no anzol. Como outros meninos do sertão, Gonzaga sonhou também fazer parte do bando de Lampião. Outro ídolo de infância foi o pai Januário. Nesta biografia, a trajetória do ícone da música nordestina é revisitada.



O melhor de Luiz Gonzaga - Arranjos para guitarra, violão e teclados – Autor: Irmão Vitale

Editora Irmãos Vitalle - R$ 55,00

Álbum sobre a vida artística do rei do baião, narrada pelo jornalista Roberto M. Moura, reúne 31 de seus sucessos, entre eles - ABC do sertão, Asa branca, Assum preto, A triste partida, A vida do viajante, A volta da asa branca, Baião, Baião da garoa, Boiadeiro, Cintura fina, Derramaro o Gai, Dezessete e setecentos, Forró de cabo a rabo, Forró no escuro, Juazeiro, Nem se despediu de mim, Noites brasileiras, No Ceará não tem disso não, O jumento é nosso irmão, Olha pro céu, Ovo de codorna, O xote das meninas, O cheiro da Carolina, Paraíba, Pau de arara, Qui nem giló, Respeita Januário, Riacho do navio, Sabiá, São João na roça e Xamego.

Vida do viajante – A saga de Luiz Gonzaga – Autor: Dominique Dreyfus
Editora 34 – R$ 49,00
A biografia de um dos grandes inventores da música brasileira, escrita por Dominique Dreyfus, jornalista francesa com profunda vivência das coisas do Brasil e da cultura nordestina.

Luiz Gonzaga - Autor: Luis Pimentel
Editora Moderna – R$ 32,90
Este livro narra um pouco a história do Brasil. Gonzagão é autor do hino oficial dessa República Brasileira. Quando relembra o encontro versado de Ary Barroso com o Rei do Baião, estavam ali afinados dois 'hineiros' - um de Asa Branca, o outro de Aquarela do Brasil. Um país que permanece um por um, revezando no mesmo pau-de-arara a mesma utopia da sobrevivência. Diante da obra de Luiz Gonzaga, brotam na vertigem que os olhos desalcançam no livro imagens sem distinção de tempo. É o primitivo megafone na pracinha seca, presa à única árvore que sobrevive, a música de um mestre, a voz de um povo. Essa mesma árvore que pode ter acolhido João Gilberto em outra várzea ou Jamelão no pé da mangueira.
Luiz Gonzaga – a música como expressão do nordeste – Autor: José faria dos Santos
Editora: Ibrasa – esgotado
Este livro fala do fenômeno Luiz Gonzaga - o rei do baião, da situação de penúria vivida até hoje por boa parte dos nordestinos e da questão política brasileira dos anos 50, passando por Vargas, Juscelino e todo o período da ditadura militar. Apresenta a música do cantor e compositor Luiz Gonzaga e sua relação com a cultura, a sociedade e a política brasileira.

                                                                                                            


Luiz Gonzaga – o homem, sua terra, sua luta – Autor: José Mário Austregésilo –
Editora: FCCR – esgotado
'Luiz Gonzaga - O homem, sua terra e sua luta' apresenta a linguagem popular presente na oralidade das canções de Gonzaga e a presença de símbolos típicos da cultura nordestina como o chapéu de couro que sempre acompanhava o artista. Este livro discute a influência do rei do baião em movimentos artísticos, como o tropicalismo, sua importância como representante maior da música popular nordestina e sua interferência decisiva na trajetória da música brasileira ao introduzir no cenário nacional os ritmos do Nordeste.

Como numa oficina cultural, esse jeito implica pensar com cabeça, mãos, antenas, conexão, ferramentas e sensibilidade. E cada ano, entra-ano-sai-ano, não nos cansamos do que vamos inventando. Do plano à planta, da planta ao palco, investimos no ambiente cultural - cidade virando vivacidade: VivOurinhos.
O Festival de Música é uma planta rizomática com a qual dialogamos com o Brasil, cultivando contatos, espalhando encontros e troca de referências entre músicos e estudantes de música, eruditos, populares e experimentadores. Não dispomos de milhões, mas nossos feijões alçam as nuvens. Investimos em um ambiente caloroso.
Em julho, no Festival, rolam cursos durante o dia, canjas nos bares à noite e espetáculos musicais. Mas as coisas começam antes. A cada ano escolhemos um músico para homenagear, que vai ser inspirador. Vai ser estudado nas escolas e sua obra difundida intensamente na cidade desde o início do ano, com ênfase em junho, no pré-festival. 2011 é nosso Ano da Diversidade Cultural, tendo Luiz Gonzaga como homenageado/inspirador.
Diversidade tem a ver com formas de ver, viver, conviver e criar. Diversidade da Cultura Popular tem a ver com as emanações artísticas da cultura do povo: músicas, danças, artesanato e manifestações com raiz e identidade; a convivência cotidiana nas ruas e praças; a vida nos bairros, feiras e bares; as crenças e seus rituais; as comidas e sua preparação; as formas criativas de decorar casas e jardins; os festejos; as pessoas e seus comportamentos, modos, modas e memórias.
Assim, seguindo essa linha, não teve jeito: caímos no Gonzagão. Cabra danado. Cobra criada. Nome: Luiz Gonzaga do Nascimento, Pernambucano de Exu, nascido em 13 de dezembro de 1912, espalhado no mapa do Brasil e no tempo por rádios, caminhoneiros e forrós. Brasileiro, não só porque típico, mas arquétipo e poético.
A diversidade que Luiz Gonzaga representa é linda e espinhosa flor de mandacaru. Semianalfabeto, Gonzaga demonstrou em sua vida e obra o quanto vale a advertência do mestre educador Paulo Freire (outro pernambucano) para prestarmos atenção nos diversos conhecimentos e leituras de mundo de que as pessoas são portadoras, ainda que não estejam vestidas com os formais diplomas das academias.
O mestre popular é imponente e ensina: “Eu vou mostrar prá vocês/como se dança o baião e quem quiser aprender/ é favor prestar atenção”. Graças a Gonzaga, entre as décadas de 40 e 50, baião, xaxado, xote e outros ritmos e manifestações foram fazendo-nos o Brasil da atual MPB, mudando e influenciando os limites do eixo Rio-Sampa. João Gilberto, Raul Seixas, Chico, Gil, Caetano, Gal – todos de alguma forma foram tocados pelos toques de Gonzaga.
O resvalo-lapso de Luiz Gonzaga em apoiar políticos conservadores não arranhou a crítica de sua música, que revela diversidade estilística, seja no incorporar a migração sertaneja de “Asa Branca”, seja ao renegar a esmola em “Vozes da Seca”: “uma esmola, ao homem que é são/ ou lhe mata de vergonha/ ou vicia o cidadão”.
Gonzaga é ídolo de contra-senso estético. Não foi mauricinho. Foi diverso: negro, cabeça chata, roupa de vaqueiro-cangaceiro e cantor-sanfoneiro. Filho de Januário e das adversidades, veio para o Rio de Janeiro, morou no Morro de São Carlos, passou o pires, passou pelo rádio e voou com sua Asa Branca, a tal ponto de torná-la um dos hinos informais do Brasil.
Escolher Gonzaga como homenagem à diversidade impõe-se. Viva ele!!!
Valdir Grandini Álvares