IX Festival de Música de Ourinhos

19 a 26 de julho de 2009

Entrevista com Lineu Bravo

Guinga, Ulisses Rocha, Yamandú Costa, Maurício Carrilho, Marcus Tardelli, Alessandro Penezzi, Chico Buarque, Juarez Moreira, Paulo Aragão, estão entre os clientes de Lineu Bravo, o luthier que começou brincando com os restos de madeira da oficina de seu pai e hoje constrói artesanalmente violões para os grandes músicos brasileiros.
Além do violão clássico, Bravo produz também cavaquinhos, bandolins, violão tenor, viola caipira e violão aço (brasileiro). Filho de imigrantes espanhóis, Lineu Bravo passou a infância em Sorocaba, onde seu pai possuía uma marcenaria. Aos 10 anos começou a tocar cavaquinho, e aos 14 construiu seu primeiro instrumento, um cavaco, feito de madeira compensada da oficina de seu pai.
Lineu Bravo estará em Ourinhos durante o Festival de Música. Ele conversou com o Balaio Cultural sobre seu trabalho e sua vinda para a cidade. Foram 20 anos construindo instrumentos como 'hobby', até que o artesão se deparou com um verdadeiro violão de concerto. "Aquilo aguçou-me a sensibilidade e, curioso, passei a investigá-lo com minúcia. Resolvi que podia. E fiz", conta Lineu Bravo.

Há quanto tempo você se considera profissional em luthieria e quais são seus principais instrumentos?

L: Comecei a exercer esta atividade profissionalmente há 8 anos, quando fiz meu primeiro violão. Antes disso havia feito alguns cavacos e bandolins para mim mesmo, pois sou chorão, solista desses instrumentos. Não tenho qualquer formação acadêmica em acústica, nunca fiz cursos de lutheria nem trabalhei com outros profissionais. Tudo o que sei fazer aprendi fazendo.

Como foi o processo de aperfeiçoamento da qualidade de seus instrumentos, a ponto deles tornarem-se tão populares entre os grandes violonistas brasileiros?

L: O que sempre fiz - e faço até hoje - é ouvir com muito cuidado as opiniões dos músicos. Levei meu primeiro violão para um professor de violão clássico e pedi pra ele dizer tudo o que ele não gostava no instrumento para que eu pudesse melhorar no próximo. Assim continuei tentando entender quais as expectativas dos músicos e como supri-las. Hoje, boa parte dos meus ídolos tocam com os meus violões, pois nessas "consultas" alguns acabavam por encomendar um violão e o boca-a-boca foi virando uma bola de neve.

Você conta que aprendeu a fazer seus instrumentos na prática. Como é seu relacionamento com a madeira, com a construção de cada peça de seus instrumentos?

L: Tenho uma forma própria de entender a vibração da madeira, de forma completamente intuitiva e essa é a minha principal ferramenta. Com o passar do tempo, continuei procurando sempre músicos mais exigentes e assim meu trabalho foi e continua se desenvolvendo. É muito interessante como as necessidades e expectativas de diferentes músicos variam de acordo com o estilo musical de cada um, o que me força a fazer instrumentos com o máximo de qualidade possível, quanto à sonoridade, afinação, conforto, beleza etc.

Você vai trazer a Ourinhos alguns de seus instrumentos? Os músicos interessados poderão fazer encomendas?

L: Está sendo uma honra participar do Festival de Música de Ourinhos, onde pretendo estar à disposição dos participantes da quinta até domingo para conversar, tirar dúvidas e mostrar instrumentos. Pretendo levar violões de seis e sete cordas e um cavaco.

 

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