
Guinga, Ulisses Rocha, Yamandú Costa, Maurício Carrilho, Marcus Tardelli, Alessandro Penezzi, Chico Buarque, Juarez Moreira, Paulo Aragão, estão entre os clientes de Lineu Bravo, o luthier que começou brincando com os restos de madeira da oficina de seu pai e hoje constrói artesanalmente violões para os grandes músicos brasileiros.
Além do violão clássico, Bravo produz também cavaquinhos, bandolins, violão tenor, viola caipira e violão aço (brasileiro). Filho de imigrantes espanhóis, Lineu Bravo passou a infância em Sorocaba, onde seu pai possuía uma marcenaria. Aos 10 anos começou a tocar cavaquinho, e aos 14 construiu seu primeiro instrumento, um cavaco, feito de madeira compensada da oficina de seu pai.
Lineu Bravo estará em Ourinhos durante o Festival de Música. Ele conversou com o Balaio Cultural sobre seu trabalho e sua vinda para a cidade. Foram 20 anos construindo instrumentos como 'hobby', até que o artesão se deparou com um verdadeiro violão de concerto. "Aquilo aguçou-me a sensibilidade e, curioso, passei a investigá-lo com minúcia. Resolvi que podia. E fiz", conta Lineu Bravo.
Há quanto tempo você se considera profissional em luthieria e quais são seus principais instrumentos?
L: Comecei a exercer esta atividade profissionalmente há 8 anos, quando fiz meu primeiro violão. Antes disso havia feito alguns cavacos e bandolins para mim mesmo, pois sou chorão, solista desses instrumentos. Não tenho qualquer formação acadêmica em acústica, nunca fiz cursos de lutheria nem trabalhei com outros profissionais. Tudo o que sei fazer aprendi fazendo.
Como foi o processo de aperfeiçoamento da qualidade de seus instrumentos, a ponto deles tornarem-se tão populares entre os grandes violonistas brasileiros?
L: O que sempre fiz - e faço até hoje - é ouvir com muito cuidado as opiniões dos músicos. Levei meu primeiro violão para um professor de violão clássico e pedi pra ele dizer tudo o que ele não gostava no instrumento para que eu pudesse melhorar no próximo. Assim continuei tentando entender quais as expectativas dos músicos e como supri-las. Hoje, boa parte dos meus ídolos tocam com os meus violões, pois nessas "consultas" alguns acabavam por encomendar um violão e o boca-a-boca foi virando uma bola de neve.
Você conta que aprendeu a fazer seus instrumentos na prática. Como é seu relacionamento com a madeira, com a construção de cada peça de seus instrumentos?
L: Tenho uma forma própria de entender a vibração da madeira, de forma completamente intuitiva e essa é a minha principal ferramenta. Com o passar do tempo, continuei procurando sempre músicos mais exigentes e assim meu trabalho foi e continua se desenvolvendo. É muito interessante como as necessidades e expectativas de diferentes músicos variam de acordo com o estilo musical de cada um, o que me força a fazer instrumentos com o máximo de qualidade possível, quanto à sonoridade, afinação, conforto, beleza etc.
Você vai trazer a Ourinhos alguns de seus instrumentos? Os músicos interessados poderão fazer encomendas?
L: Está sendo uma honra participar do Festival de Música de Ourinhos, onde pretendo estar à disposição dos participantes da quinta até domingo para conversar, tirar dúvidas e mostrar instrumentos. Pretendo levar violões de seis e sete cordas e um cavaco.